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sábado, 7 de setembro de 2013




 APRENDIZADO - carlos bartolomeu


       Ouvindo ANTONIO MARIA e me pegando nostálgico. Em parte, dos sentimentos que ecoam da música elegante e tecida da morna ternura de Maria; outra, sem duvida ditada pela a arquitetura da impossibilidade que implode a construção da cena aqui da nossa cidade. Quase trê anos que em silêncio procuro montar um recital com as músicas deste ilustre pernambucano... Dificil. Antonio Maria atingiu o nirvana do esquecimento, assim me parece, ou por outra, estamos tão enlaçados ao abjeto das sonoridades primárias que toda harmonia refinada, apresenta-se como um atrevimento ao 'prapulismo' nacional.
     Tudo tem que exibir-se, e exibir facilmente sua argumentação de primariedade, o rascunho dos obtusos quer escarnecer da leveza e ocupar o nosso tempo, organizando-o ao seu bel-prazer. A brutalidade acima de tudo. Perseverar no obscurantismo, na defensiva de estereotipos abusados e feios.
     Antonio Maria era popular. É popular. O que se apresenta hoje em dia como popular beira ao suícidio, alardeia-se como alguma idiotia, facilitada pela vaselina do câmbio... Música popular brasileira VERDADEIRA&DIVERSA está escondida, não se vendendo desavergonhada aos embustes de achados de péssimos produtores musicais. Falta arte, ar, esmero e genialidade. A Herança deixada por  aqueles que fizeram da canção brasileira, o exemplo de uma arte que reune engenho de gentes diversas em cultura, firmada na - unidade do diverso -, é voz da beleza e cantico na realidade adversa. 
    Podem me achar superado. Em parte sou um velho homem, sim. Mais sou eterno, disso eu sei. Continuarei insistindo que somos feitos pelo Belo, pelo Bom e Verdadeiro. Somos comediantes também neste sonho sonhado pela BELEZA e por isso podemos ir e vir nos meios-termos... Mais o significado disto é o de apenas interrorgarmos criticamente nosso empenho em criarmos, iluminarmos. Nos determos aos pés da ignorancia, da fealdade antes de ser tomado como provocação, merece ser visto como insignia da preguiça.
    O mundo e os seres humanos foram se arquitetando pouco a pouco, apreendendo, sondando. Reconhecendo do ontem as flutuantes possibilidades do amanhã. O odor do novo norteia descobertas, porém seu perfume pede sensibilidade para ser captado. Compreender o significado no Belo é enxergar a mão do Superior incognito, como diria explodindo de entendimento Fernando Pessoa, a DOAÇÃO da magia de criar.
   O belo pede auxilio ao humano; porque o divino não é na sua totalidade sem a BELEZA.