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mergulhe

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PÂNICO
3:28 da manhã. Acordei em meio as ausências.
Abraçar um corpo amado do passado, ouvindo a voz de outro no agora, me fez sentir o estado de emergência que a vida deponhe à minha geografia de afetos.
No trajeto dos meus amores confesso o sem fim de olhar em torno, eu mesmo e muitos lábios cerrados.
Na noite, o excesso das perdas, a chuva caindo e desejo de chegar até o amanhecer, faz do medo, um d...esvio para mais noite... E nela, não há jornais, muros, estelas e ouvidos. Nem vazio há. Somente chuva e o silêncio de todos os corpos que se foram, passaram por mim.
Morro de saudades de meus mortos... mas, nenhuma ilusão de reconhecê-los nos vivos que me cercam, há. Saudades a esta hora é tudo o que sobrevivendo, faz de minha insonia, tempo de explorar a invenção do romance. Na última pàgina, a certeza que nem tuas mãos me amparariam. Nenhum final feliz.Abraçar. Ver. Compor uma desmedida fantasia fazem desta madrugada, um começo de dia, aparente inicio de semana... Mas, não é, não é assim. É o fim da semana que passando se estende, me trazendo a extensão da minha e das distâncias dos amigos, e dos amores antigos. Até mesmo dos novos. A poesia não me salva, e em tal circunstancia, como se fosse um espelho coloca na minha frente, um rosto quase reconhecível que se parecendo ao meu, dá sentido ao nenhum sentido que percorre meu quarto, olhando o corpo deitado na minha cama e os dedos que digitam meu celular.
3:54 da manhã que não irrompe verdadeira, solar.
Chove. E a memória de ter contido o sentimento do meu peito contra o teu, entorpece a alegria e vontade de viver. Nenhuma emoção na hora. Apenas o receio de sentir novamente, o ter e perder.
4 horas. Tenho nada não. O pânico se foi, a cada palavra inscrita. devassavel para muitos olhares...
4:03... a dor maior nunca é a de ter sido esquecido ou deixado no meio do salão, música tocando. Somente você e os olhares ...
A mais permanente dor é a dor da esperança. A suave e onipresente ansiedade de poder rever no olhar do ser amado, aquele amoroso olhar: compreensivo, entregue todo ao teu olhar. De verdade, verdadeira o olhar de teu olhar.Nunca, o olhar do outro que não sabe da profundidade do teu querer tanto, tanto, tanto...
Acreditar nisto é, talvez ter fé. Fé de que o amor virå por fim.
Eu que acredito em corpos, medito nesta ironia de estar preso a esta alma por um olhar. Preso a ti e a minha idéia de que o amor seja assim. Desejo e distância. Presença e adeus.
O amor humano, humanamente apaixonado não pede a exatidão, a concretude. Ele precisa apenas de poesia.
E eu, das tuas mãos. 4:58.

quinta-feira, 5 de junho de 2014



A SAGRADA AÇÃO DE CRIAR, SÓ. – CARLOS BART

 

MENOS QUE OFÍCIO A ARTE TEATRAL PODE SER UMA VIA.
PARA MUITOS É OU VIRÁ A SER, O CAMINHO. IMAGINARMOS QUE TENHÁMOS ALGUMA OBRIGATORIEDADE EM RELAÇÃO AO ESTADO DE BRINCAR, SILENCIAR E REVELAR QUE NOS ACORDA  A TEATRALIDADE É SUBTRAIRMOS DA COMPLEXA E REFINADA EXPRESSÃO DO EU SUPERIOR A ENTREGA A QUAL ELE SE DÁ.

TEATRO  NÃO É UM TRABALHO NO FORMATO QUE SE CONTRUIU NA SOCIEDADE. ARTE NÃO É UM TRABALHO, EMBORA A FALSA IDÉIA DE LISURA DAS COISAS COMERCIAIS NOS FAÇA ACREDITAR QUE ASSIM O SEJA. O PIOR É QUE ACREDITAMOS EM TAL SINALIZAÇÃO DO ILUSÓRIO, FAZENDO DESTE CONTEÚDO DA GRAÇA, DESSA ENTREGA VIRTUAL DA ALEGRIA E CRIATIVIDADE, UM FARDO. O IMPOSTO DA SOBREVIVENCIA. NESTE CAMPO SEMEADO POR AMBIÇÕES MEDIANAS OU RASTEIRAS, O OUTRO É ADVERSÁRIO, NUNCA É CONTINUIDADE E POSSIBILIDADE... É SIM, UM ATACANTE QUE DEVE SER SURPREENDIDO E POSTO FORA DE COMBATE; POIS QUE TRABALHAR PARA NOSSA HUMANIDADE INCIPIENTE É UM ESTADO DE BELIGERANCIA.

A ARTE ESTÁ MAIS PARA A IRMÃ COMBATIVA DO ÓCIO DE QUE SEU PRIMO EXCESSIVAMENTE ‘VIRTUOSO’, O TRABALHO. A ENTREGA QUE AMBOS NOS FAZ, É DE LONGE COMPLETA E RADICALMENTE DIVERSA: UM NOS OFERTA. OUTRO NOS EXIGE, IMPÕE.

DECERTO, PODEMOS REALIZAR TAIS EXERCÍCIOS DE VIDA COM O DISCERNIMENTO E PROPORCIONALIDADE DA RAZÃO. MAS, NÃO É O CRITÉRIO DO PENSAMENTO, A REDOMA DOS CUIDADOS E DA SEGURANÇA QUE NOS ENCAMINHA, AO MENOS NA ESFERA DO TEATRO. AO CONTRÁRIO QUE PODEREMOS ENXERGAR, AS DÁDIVAS QUE NOS CHEGAM DE UM E DE OUTRO SÃO DIRECIONADAS E CONSTRUÍDAS POR NÓS, EVIDENTEMENTE... TODAVIA AS MÃOS QUE  CINZELAM, ESCULPEM DEUSES DIFERENTES. ESTES SENHORES SÃO DONOS DE PASSADAS E ANDARES BEM DIFERENCIADOS. SE PARA UM, A ESTRADA É OBRIGAÇÃO, DEVER E DESGASTE. PARA OUTRO, É O OLHAR QUE VOANDO AVISTA E NO CRUZAMENTO ENTRE VER E ENCONTRAR O VISTO; DISPÕE DE SI, ENTREGANDO O OLHADO E O OLHAR COM O PRAZER DAQUELA ENTREGA QUE ACONTECE NO ESPAÇO DA TOTALIDADE.

LAMENTÁVEL, ACREDITARMOS RELIGIOSAMENTE NA INVERSÃO DESTA VERDADE. A CRENÇA NO OFÍCIO COMO OBRA DE CUSTEIO, APENAS, SINGULARMENTE EMPOBRECE A OBRA E SEU CRIADOR. HOJE TEMOS MAIS MERCENARIOS E MENOS MECENAS. MAIS TAREFEIROS QUE REAIS CRIADORES, TODOS DESEJAM E MUITOS O CONSEGUEM: CONSERTAR SAPATOS E INSTRUIR PINTORES... QUE MAL  HÁ EM PERSEGUIR SEUS SONHOS? NENHUM. ENTRETANTO, EXISTE UMA MALDADE EVIDENTE: NÃO ACEITAR QUE O SONHO REVELE E GUIE. E ISTO SEJA TUDO. O ENTENDIMENTO SILENCIOSO DO TODO NOS É CONCEDIDO DESDE SEMPRE, NÓS DAMOS AS COSTAS. SÓ A GRANDEZA CONCEDE A EVIDENCIA DA VIDA E SUA SABEDORIA. O RESTO DE UM NADA IRRISÓRIO ESTENDE A MÃO PEDINDO. om

 

segunda-feira, 3 de março de 2014

ANOTAÇÃO

CARLOS BARTOLOMEU

 

Uma canção pode ser
As vezes
Uma canção. Só.
Ouvir a melodia triste
A letra sentimental...

Pode ser a exata expressão
De um coração que sabendo- se feliz,
Visita aparencias menos iluminadas e nelas acende luz.
Amar é um bem irrestrito que não se esconde e se guarda.

Ser verdadeiro consigo é um dos dons que a amorosidade nos imprime.

 
 

domingo, 23 de fevereiro de 2014


 

 

AI QUE SAUDADE TENHO DO MEU RECIFE – Carlos Bartolomeu

Todo carnaval, eu lamento estar por aqui. No Recife, estar na brincadeira é um estado de definição, uma marcha obrigatória. Se dissesse que não gosto do carnaval seria uma grosseira inverdade. Na realidade: amo, e ponto.

Não acrescento uma adjetivação ao redemoinho sentimental, a emocionada carnalidade que meu  espírito atinge diante do reinado momesco. Mas, nego-me a transigir, transitar e vivenciar com outros, a fábula pessoal, a qual em mim se decidiu, permanecer.  Enfrento-me solitariamente dentro da alegórica semana onde tudo vale, ou pelo menos deveria assim ser. Mas, não é.

A carne não vale absoluta. A mascarada obscura desvirtua o banho da orgíaca purificação que é o Carnaval. Toda graça e o riso desta festa é pago. Nadinha nenhum é gratuito. Nada é pagão. Há incenso das arábias atravessando o deserto do Saara para arder na pira devota e quaresmal. Só.

O furor dos metais, o repisar obsedante dos bumbos  e os surdos ecos das castanholas, tudo é sem a finalidade original de despir os nomes, a revelar nos homens sua leveza feminil e nas fêmeas todas, a cooperativa  práxis das bacantes saudando seu deus.

Bodes chifrudos, anjos lesbianos. Estudantes queijudos. Putas santificadas. Virgens de aluguel. Mães viragos e pais absortos e concluídos em mistério de beatice. Nudez. Banzo. Exposição. Êxtase. Tudo se conclui num mar de lodo politizado, idiotizado. Onde marcham as Marias, os Morcegos embaixo de lampiões, guardiões de flabelos, para onde voaram?

Saboreio cheiros e nenhum faz parte da festa. Apoteose do povo sem divisões e sem corpos. Onde tudo é um corpo só, Cheiro só. UM frevo somente...

‘Ai, ai saudade, saudade tão grande... ’ Que sabe como foi e como era esta viagem dos corpos e mentes se desfazendo e achegando-se sensual e festivamente ao desaparecer sem se conter. Entregando-se. Entregar-se... Esta festa não é mais assim. Foi. Era assim, um dia; noites foi.

No entardecer, já pela hora do ângelus os palhaços andavam de  costas... Em pulos e reverências. Pisando nas pontas dos pés, às vezes pé ante pé; outras, só um pé, e... Flutuações. Movimentos aéreos. Pássaros com as cabeças voltadas para trás: suas máscaras. A mascarada invertida, dois rostos para uma só face: CARNEVALE!

 Ai saudade... O éter... As nuvens de talco. Os reco-recos... Guizos. Água. Aguaceiro. Corpos molhados  e grandeza de se saber batizado dionisiacamente. Cada pecado uma deliberada gargalhada de felicidade. O mundo era um perfume e todo bem do carnaval, todo amor de carnaval valia uma eternidade e nem perene seria.

 

 

 

‘Ai se eu tivesse quem me fizesse um carinho, Não levava a vida que eu levo sozinho’.Chorava-se também. ‘Eu quero que chova três dias sem parar’. Ardia-se em expectativa de ficar. Permanecer. Mais a doce ênfase da brincadeira era simples: não iremos estar por aqui, senão três dias e uma vida inteira pra te libertar.

LIBERTAR. LIBERTAR. Esse era o trem. O bonde que arrastava as ilusões  e tolos compromissos. Deixar-se, esquecer-se de si, jogando-se na festa dos sentidos sem deles se aperceber. Pois que a original riqueza desta fantasia seria surpreender e derrubar. Arribar e desguarnecer. Fazer fenecer o orgulho de ser e no outro ser, existir. Sem ser, sem fantasia. Nu. Tangido. Expulso do éden, avistado na morada da rua, sem rua pra ficar. Apenas passar. Desse carnaval nunca houve segredos. Esperava empoleirada na janela a chegada de Vassourinhas. Todo ano era assim que era... Tinha vez que adormecendo me levavam lá para dentro. Nada percebia, e na manhã que se abria eu me via embaraçado e muito, muito triste por não ter podido beijar o estandarte do Vassouras. ‘Ai saudades... Entrego-me a vaidosa e incondicional certeza que sou um dos poucos que receberam a bênção de meu Senhor quando criança. Invariavelmente bêbado... de sono. DIONISO SE RIA COMIGO! Adormecido ele era meu guia.

O perfume daquele estandarte. Os aromas todos da rua no coração de uma infância era a perfeita descoberta da total entrega. Eu não era nada. Um confete era eu. Um jato de lança perfume que nunca tive. Somente aspirei e senti a dos outros. Mais quem se importa. Lá, era passagem. Tudo era passageiro. Um passageiro eterno: ‘Adeus Mario Melo partiu para eternidade... ’ Todas as coisas sem nenhuma urgência. Tão diferente de hoje em dia, me diz um homem de meia idade olhando-me no espelho.

Apelo e sonolência eis o carnaval de agora. Nenhum pacto em despir-se de si. Nada que afronte a torpeza do ego e os braços todos alinhados em igualdade, e nenhuma igualdade. Solidão e o tolo compromisso com a exibição de se algo. Filho de alguém. Senhor do futuro.

O carnaval que eu conheci nunca me prometeu permanecer. Durar.

O carnaval que acontecia das portas abertas para as ruas de São José era moreno, negro, caboclo e português. Vivos e desencarnados tangiam suas vozes como alaúdes profanos requisitando aos anjos luz e impermanência. Tudo desse meu carnaval ressoava a presença de adeuses e as lágrimas na alegria de se perder. Nunca se encontrar. Pois o que valia de fato era a fantasia.

‘ Na madrugada do terceiro dia...

A gente sente uma saudade sem igual
Que só termina
Com um novo carnaval’.

Todo carnaval eu lamento estar por aqui. Mas, permaneço.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

CARLOS BART & ensaios:

CARLOS BART & ensaios:

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  • Acabo de enviar as NOTAS de meus caros alunos...

  • Com isto considero encerrado meus anos de trabalho e aprendizado na UFPE. Aguardando apenas, o término de minhas férias oficiais e a despedida do meu papel de professor nesta instituição. Tudo foi breve como um piscar de olhos. Por vezes entediante, algumas vezes de uma pobreza nas relações... Riquezas também. Outras, muito poucas, o encontro e a descoberta sincera e renovadora. Mas, em tudo me fica a imponderável certeza de quem sem isto, não teria valido a pena. Ao contrário de alguns considerei ao longo desta passagem, a importância das amizades e dos afetos. Estar em um espaço que DEVE aliar relação humana com a fecundidade da arte sempre me pareceu, ENRIQUECEDOR e vital na criação e na oportunidade de expor sem receios aquilo que se é, e como se cultiva sua artisticidade.

  • Aos que ainda permanecerão no CAC/Teoria da Arte meus mais sinceros desejos de que sejam, menos arbitrários com o empenho acadêmico, e muito mais afeitos ao ensinamento de otimizar uma escolha pelo que ilumina, e a defesa do padrão libertário de ser ARTISTA e Mestre.

  • Um dia nos encontraremos do outro lado da VIDA (ou não), em outros lados das ideias e também por aqui, muito embora ISTO me pareça muito mais distanciado e dispensável por hora... Sem dúvidas, não comungamos do mesmo pensar e nem instamos com nossos aprendizes dentro das mesmas ideias e conceitos. Amei o perturbador, aquilo que transforma e desampara a principio, mais a medida que o tempo avança: revela e lustra.

  • Não me curvei ao compadrio e ao coleguismo fácil, as politicagens departamentais do momento. Venho de uma velha escola. Sou filho de mestres que honraram as artes pernambucanas; como Recifense legítimo me expus, perdi e me levantei... Não há medo, nem revanchismo no meu coração...

  • AMO o drama e sei encenar MEU PRÓPRIO CAMINHO. Eu me achei!

  • Aqueles que são meus próximos sabem um mínimo de mim, mas, sabem que sou leal, não dentro do convencional da lealdade e fidelidade, ao verdadeiro e honorável, é que eu sou leal.

  • Aos ALUNOS, muitos dos quais amei reservadamente, carinhosamente...

  • Aos ALUNOS todos que me definiram e auxiliaram à travessia daquilo de que sempre tive muito receio: GENTE; meu coração diz serena e alegremente: OBRIGADO.

  • Até Sempre.

  • Carlos Bartolomeu.

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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

HOJE, 15 de janeiro não aconteceu o ensaio de nosso pretendido espetáculo... O infantil descaso com que se trata nosso tempo e criação, só é desculpável à medida da ignorancia dos implicados. Ao que nos consta junte-se isto a arrogancia com que se trata nossa infrutífera tentativa de nun espírito 'oficineiro' traduzir as aparentes dificuldades de nosso Texto e Realização dramatúrgica. Não há dúvidas, o aprendizado e disciplina na construção de uma qualidade teatral, não faz parte das intenções mais remotas no exercício cênico ao qual vocês esperam. Não o querem. Isto é fato! Pois quem assim o decide, e da maneira que aje; espera outro tipo de teatro.
Lamento por esta falta de cumplicidade, respeito e discernimento. Continuaremos, assim espero com aqueles que se revelaram mais enriquecidos com a possibilidade, mais imbuídos do espírito e da importância daquilo que acreditamos. Não estamos prometendo sucesso, multidões ou o facil reconhecimento dos 'colegas'.
Aquilo para o qual somos iniciados e mediadores é de origem mais sutil.
Aprendemos a escolher, e saibam que numa empreitada artística não podemos servir a dois senhores no mesmo horário e tempo. Existem critérios. O primeiro é a palavra empenhada e o respeito ao tempo alheio. Boa sorte e aos que permanecem; até segunda feira.
Se não é possivel tal ,que sejam a menos corretos na informação, nos digam
antecipadamente.
Grato.
carlos bartolomeu