DIZ MEU NOME*, também pode ser chamado de Relativo Bolero. . .
Neste exercício para atores, a afetividade contida no texto, por vezes dolorosa, é instaurada através de lembranças. Estas devem ser conduzidas no contexto de um humor esclarecido. O que isso possa significar deixo às mãos da direção e na imaginação dos atores. Eles devem compor com fragmentos das suas memórias, a evocação de suas personagens. Deverão jogar com as palavras e, no entanto aceitarem o recitativo de esquemas, velhos e conhecidos destas mesmas personagens: O decalque, o corte e a superposição das imagens, muitas e muitas vezes reconstruídas por elas e que montam o romance sob a ótica da paixão.
O tempo do silêncio é o segredo do ritmo. Dois prá lá. Dois ou três para...
Sem nenhum pudor sucumbem a canastrice amorosa e tornam-se plagiárias de modelos, escrituras, vidas teatrais. São citações, clones reverentes de outras máscaras. Colecionam as mesmas versões da amorosidade. No lugar comum estão situadas. Perderam o pejo de olhar para o desfeito, jogam para o alto! Em palimpsesto duvidoso construiu o discurso de seus sentimentos, apreendido nas telas de cinema... E o desenrolam com sugestiva carnalidade... Assinando em baixo.
Suas vidas podem não dar um filme, mas elas sabem que saíram de um! Qual? Vai lá, se saber! Exorcizar o aparentemente impossível: a passagem do tempo e a permanência da dolorosa memória de amores, para elas não é meta, é destino. Elas tentam corajosamente!
P.S.: X e Z não são os nomes reais destas personagens. De fato não me vem a mente nomes originais e nada mais forte me ocorreu para solucionar o esquecimento! Quando ouço as palavras destas criaturas, destes homens enamorados, reconheço que Ana e Teresa, personagens de As Moças, texto teatral de Isabel Câmara são as suas sombras.
Eu as beijo... Finalmente!
* O nome do texto já editado denominei de ENSAIO ABERTO.
Carlos Bartolomeu
Derby abril/maio2002

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