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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

CHUVA NA MANHÃ DO DOMINGO - carlos bart

 

Tenho uma enternecedora queda por gente fugidia. Me ligo quase apaixonadamente àqueles que inspiram pouca confiança, quase nenhuma aptidão a permanencia, fragéis e desequilibradamente sensuais na sua aura romãntica; a eles dedicando meu tempo e poesia.
Dirão alguns, ser tal atitude uma fraqueza. Na verdade, vivo tal circunstância no relativo aconchego das Musas. Sinto que é adorável poder partilhar e substanciar em seu próprio espírito, uma espécie de derrama poética... Dar-se imagináriamente, e na espera do milagre, aconteça o descer da infinita inteligência  sobre os pequeninos seres  angélicos, enfermiços da minha paixão.
O amor aí, é um debate na ágora dos enamorados. Não há perdedores nem vencedores. Tudo é um caso de paciente interrogação à vida de como não se deixar iludir, mas, vivenciar plena e acintosamente a própria ilusão.
Boa parte de meus amados amores, não o foram. Sequer existi como objeto descartavel no documento pessoal dos envolvidos. Aprendi nesses eventos a relativizar a força das paixões, a economia do sexo
e nitidamente me curvei ao vasto sentimento de que no mundo a maior das felicidade é libertar-se, pois até amar alguém pode ser uma prisão. Libertar-se é para mim a definição de não se deixar traduzir com o outro, ao lado deste e para este. Liberdade é abundancia de infinitos vazios dentro da capacidade de ter no outro, o espelho.
Muitos amores, dezenas de vezes se foram, e se foram mais do que eu, em relação a eles. Prossegui sempre, sempre entendendo que ainda não havia deixado de lado minha inclinação luminosamente perversa de ir ao encontro do
desperdício, do contrário. Orgulho-me de ter aceito o aprendizado, destino talvez.
Como contínuo me estressando e excitando com gente fácil, bela e ardilosa, sei que ainda tenho muito a reinventar... Por hora é reconhecível o movimento de meus 'membros' em direção a... Prosterno-me na direção de Meca. Longe um muezim canta e o perfume do deserto acentua mais ainda a ilusão. Ela ainda é uma estrada no meu ser. Todavia, agora eu sei que é ilusão!


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