CARLOS BART & ensaios: Um tempo REconhecido
Proust tardio e desengonç...: Um tempo REconhecido Proust tardio e desengonçado em sua lembrança de um ir e vir sem pontuação e vírgula alguma Mas me deixando embe...
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Um tempo REconhecido
Sorvete saia e blusa ice cream picolé casquinho Sorvete
Nunca nunca nunca
Proust tardio e desengonçado em sua lembrança de um ir e vir sem pontuação e vírgula alguma Mas me deixando embeber nun sorvete madeleine de memórias que flutuando caem sobre mim
Sorvete saia e blusa ice cream picolé casquinho Sorvete
E o cheiro da flor de Borboletas Casquinho de abacaxi eu nos braços maternos Noite e lua O gosto do nunca acabar
Embalado ninado acalentado se vendo adulto naquela noite no aroma da flor das Borboletas dentro do gosto porque gosto perfumado de abacaxi o abraço amado e toda meninice jamais desaparecerá
Desaparecerão
Nunca nunca nunca
Mesmo quando eu me for pra Lua Quando eu for morar lá
Ria-se me diz os cheiros da Noite
Carlos se sinta assim
recoberto embuçado aquecido protegido na ternura de recordar*
recoberto embuçado aquecido protegido na ternura de recordar*
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
BANDEIRAS AO VENTO - CARLOS BARTOLOMEU
Como disse Bandeira, o poeta, aqui nesta cidade do Recife tem... brisa!
Como disse Bandeira, o poeta, aqui nesta cidade do Recife tem... brisa!
Sim, de fato sopra um vento em meio ao calor. Nós não o festejamos mais no corpo, no rosto e nos cabelos, envolvidos que estamos pelo barulho incessante e crescente...
Mas, reparem bem, no Recife sopra bóreas, zéfiros, mistral, tudo se faz no ar desta cidade roubada ao oceano.
No fim da tarde de hoje, deixei meus óculos escuros no café, notei sua perda no retorno para casa. Em meio a brisa incessante e ao calor clemente me dei por achado. Sensivel aos sopros e dentro da recordação de uma perda, sem óculos escuros, me vi na inéfavel claridade das luzes que se iam, do vento que enxugava meu suor, e mais uma vez amei estar no lugar que é meu:Recife.
Este lugar que sempre é recomeço, Instancia do zero. Pertencimento de nos fazer retomar com a pedra até ao topo da montanha, vê-la deslizar e... recomeçar. Tudo é ginástica aqui. Subida, tensão e ganho material pouco. Apenas ao coração é dado o senhorio do entendimento da narrativa, e a infexível compreensão que o nosso, é somente o que de fato nos acolheu.
Meu lugar tem brisas e eu as redescubro nas horas mais quentes.
- memória - carlos bartolomeu
- Há na vida de cada um de nós, memórias harmoniosas que perduram. Estas nos tornam mais aconchegados ao calor e a mais pura visão de humanidade. São coisas, pessoas, fatos ou objetos plenos em si mesmos, e que nos renviam silenciosamente ao todo e sua simplicidade.
- Tenho para mim lembranças que me arrumam, me harmonizam, me pondo inteiro na estrada... Cada vez que revejo o final de O CIRCO de Chaplin: Carlitos numa raiva desemparada e criadora chuta a estrela de papel amassado, recobrando-se e retomando sua caminhada. Ao rever a cena me sinto em sintonia com o universo. Como também me toca profunda e festivamente todas as vezes que na Praça Chora Menino, o baobá que nela existe soberano, me olha. Sinto sua força e recrio minhas raízes quando nos avistamos e nos sorrimos da nossa amizade sem palavras, mas apaixonada. Naquele lugar circulam dóceis fantasmas... Meninos já muito antigos que deslizando sobre as pedras e gramas, se escondendo entre árvores flutuam e emanam alegrias e brincadeiras...
- O cheiro dos plátanos de Paris, aquele perfume enjoativo e açucarado misturado ao frio levando-me para O Fim. O lampejo organizador reinventando a obscura dissolução... No resfriar-se do ar, um harpejo de soluços bem unidos e quase inaudíveis e à Noite, perda do peso e das contradições. Um cheiro somente, um doce aroma e o sibilar do aço caindo libertador. Plátanos. Sena. Louvre... Place de Grève, plátanos.
- Ai, o olhar descuidado nos traz de volta, tudo o que sendo nosso um dia, se perdeu. Apenas, não mais querer, não precisar e tudo que se vai, retorna por uma outra rua, volta numa nova roupagem e a emoção explode intacta em sua força, agora sem dor e somente o colorido da vida.
- Coisas antigas, gentes do passado, amores incompletos, sonhos perdidos, risos abafados. Tudo retorna. No olho levado do busto de Nefertiti, o rasgão entre os cosméticos de seu olhar roubado me ensina o ir para dentro, a força do perfil régio e o outro olhar mel e luz, tomam meu coração. Suavidade da força. Força da suavidade.
- Nefertiti no Neues de Berlin... e nada é mais sofisticado que uma rainha dentro de uma cuba de vidro; nada e nem ninguém foi mais longe em eternizar a beleza. Igual, lembra o meu coração, apenas Antinôo: a cópia no Museu de Belas Artes do Rio. Uma cópia... A beleza resiste e se multiplica. Lembrar.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
CHUVA NA MANHÃ DO DOMINGO - carlos bart
Tenho uma enternecedora queda por gente fugidia. Me ligo quase apaixonadamente àqueles que inspiram pouca confiança, quase nenhuma aptidão a permanencia, fragéis e desequilibradamente sensuais na sua aura romãntica; a eles dedicando meu tempo e poesia.
Dirão alguns, ser tal atitude uma fraqueza. Na verdade, vivo tal circunstância no relativo aconchego das Musas. Sinto que é adorável poder partilhar e substanciar em seu próprio espírito, uma espécie de derrama poética... Dar-se imagináriamente, e na espera do milagre, aconteça o descer da infinita inteligência sobre os pequeninos seres angélicos, enfermiços da minha paixão.
O amor aí, é um debate na ágora dos enamorados. Não há perdedores nem vencedores. Tudo é um caso de paciente interrogação à vida de como não se deixar iludir, mas, vivenciar plena e acintosamente a própria ilusão.
Boa parte de meus amados amores, não o foram. Sequer existi como objeto descartavel no documento pessoal dos envolvidos. Aprendi nesses eventos a relativizar a força das paixões, a economia do sexo e nitidamente me curvei ao vasto sentimento de que no mundo a maior das felicidade é libertar-se, pois até amar alguém pode ser uma prisão. Libertar-se é para mim a definição de não se deixar traduzir com o outro, ao lado deste e para este. Liberdade é abundancia de infinitos vazios dentro da capacidade de ter no outro, o espelho.
Muitos amores, dezenas de vezes se foram, e se foram mais do que eu, em relação a eles. Prossegui sempre, sempre entendendo que ainda não havia deixado de lado minha inclinação luminosamente perversa de ir ao encontro do
desperdício, do contrário. Orgulho-me de ter aceito o aprendizado, destino talvez.
Como contínuo me estressando e excitando com gente fácil, bela e ardilosa, sei que ainda tenho muito a reinventar... Por hora é reconhecível o movimento de meus 'membros' em direção a... Prosterno-me na direção de Meca. Longe um muezim canta e o perfume do deserto acentua mais ainda a ilusão. Ela ainda é uma estrada no meu ser. Todavia, agora eu sei que é ilusão!
sábado, 7 de setembro de 2013
APRENDIZADO - carlos bartolomeu
Ouvindo ANTONIO
MARIA e me pegando nostálgico. Em parte, dos sentimentos que ecoam da música
elegante e tecida da morna ternura de Maria; outra, sem duvida ditada pela a
arquitetura da impossibilidade que implode a construção da cena aqui da nossa
cidade. Quase trê anos que em silêncio procuro montar um recital com as músicas deste ilustre pernambucano... Dificil. Antonio Maria atingiu o nirvana do esquecimento, assim me parece, ou por outra, estamos tão enlaçados ao abjeto das sonoridades primárias que toda harmonia refinada, apresenta-se como um atrevimento ao 'prapulismo' nacional.
Tudo tem que exibir-se, e exibir facilmente sua argumentação de primariedade, o rascunho dos obtusos quer escarnecer da leveza e ocupar o nosso tempo, organizando-o ao seu bel-prazer. A brutalidade acima de tudo. Perseverar no obscurantismo, na defensiva de estereotipos abusados e feios.
Antonio Maria era popular. É popular. O que se apresenta hoje em dia como popular beira ao suícidio, alardeia-se como alguma idiotia, facilitada pela vaselina do câmbio... Música popular brasileira VERDADEIRA&DIVERSA está escondida, não se vendendo desavergonhada aos embustes de achados de péssimos produtores musicais. Falta arte, ar, esmero e genialidade. A Herança deixada por aqueles que fizeram da canção brasileira, o exemplo de uma arte que reune engenho de gentes diversas em cultura, firmada na - unidade do diverso -, é voz da beleza e cantico na realidade adversa.
Podem me achar superado. Em parte sou um velho homem, sim. Mais sou eterno, disso eu sei. Continuarei insistindo que somos feitos pelo Belo, pelo Bom e Verdadeiro. Somos comediantes também neste sonho sonhado pela BELEZA e por isso podemos ir e vir nos meios-termos... Mais o significado disto é o de apenas interrorgarmos criticamente nosso empenho em criarmos, iluminarmos. Nos determos aos pés da ignorancia, da fealdade antes de ser tomado como provocação, merece ser visto como insignia da preguiça.
O mundo e os seres humanos foram se arquitetando pouco a pouco, apreendendo, sondando. Reconhecendo do ontem as flutuantes possibilidades do amanhã. O odor do novo norteia descobertas, porém seu perfume pede sensibilidade para ser captado. Compreender o significado no Belo é enxergar a mão do Superior incognito, como diria explodindo de entendimento Fernando Pessoa, a DOAÇÃO da magia de criar.
O belo pede auxilio ao humano; porque o divino não é na sua totalidade sem a BELEZA.
O belo pede auxilio ao humano; porque o divino não é na sua totalidade sem a BELEZA.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
À Presença da Tua Presença
Eu quero te dar um presente. Contar uma história. Não é uma história apenas minha. Ela é tua. É sim. Ela é a minha maneira de refletir sobre o que permanece de nós dois. De recuperar o justo sentimento sobre aquele tempo, onde houve você e eu. Aguardo no ponto último, do último parágrafo desaguar suavemente e merecer a tua melhor lembrança de mim. Eu que fui acolhido por você um dia, digo o quanto sei que o fui.
Ao longo destes anos todos, reencontrei amores. Muitas de minhas histórias aparentemente incompletas foram se encaixando, seu desenho tendo direção e sentido. Meu corpo que dormiu junto ao seu, sabe que falo uma linguagem, a minha, e você, um dia a compreendeu. Fomos tudo verdade, como num filme de Welles. Sobrando-nos àquela excessiva poesia, a métrica de uma música sentimental arrebatando a realidade.
A verdade de dois ser um diferente do outro, e com maneirismos, e os cotidianos sedimentando a falência das surpresas. Quietude e mesmice sem a paciência do entendimento da maturidade. Da negativa de inclusão de fazer sentido no amor o experimento das banalidades, e das repetições. Uma sucessiva ronda de espetacularidades e um tropel de novidades, assim que era amar. Meu amar. Na atmosfera que minha fantasia arquitetava, o sentimento deveria respirar aos saltos. Paz alguma rondava a vida amorosa. Sobressalto era amar.
Toda minha incapacidade de ser paciente com a idéia de casal desfilava e escorria por aí. Há que se ter certo dom, uma preciosa maestria para percorrer o enredo das histórias de casais, imagino. Mais eu nem sei muito sobre os ‘pares’. Continuo descobrindo, mais não sei!
Amar para mim sempre foi impar. Deixando-me chocado, Tonto. Um mal estar prazeroso evoluindo vertiginoso até me deixar mudo, sem razão. Alheio. Todas as vezes que o sentimento se revelava a mim, eu o pesava, o media; avaliando-o como produto, o revendia ao meu receio
de vê-lo me deixar. Medo dele me invadir, e me fazer assistir o assombroso receio de uma entrega completa. Onde eu teria que dizer ao meu amor: “Sou assim: tão pouco...”.
Eu cheguei a imaginar que o amor reconhecendo o pouco de mim, o confundiria com nenhum. E ao reconhecer tal medida, dela se afastaria. Por isto mesmo, seria sempre eu a ir em primeiro lugar, antes do possível abandono. Antes do final.
terça-feira, 9 de abril de 2013
A FOME DE LEMBRAR – Carlos Bart
Acordo cedo. Morto de fome. Abro a geladeira. Uvas, suco de laranja, tâmaras. Não! Por ordem: suco, as uvas e uma tâmara, apenas. Frito os ovos cuidadosamente na frigideira; antes, o café. Água fervente sobre o pó. O azeite espanhol chiando e os ovos jogados nele. E o aroma. Perfume antigo invade minha casa. A cara moura de meu avô maranhense, sua cor e forma de beduíno do deserto me invadem. Bondade. O meu bairro do Flamengo conjugado ao meu São José que é São José de lá, lá do Ribamar da ilha de São Luis. Rei de França. São Luis: minha Tia Nettie e seu irmão, meu pai Davout. França Y Andaluzia... Dinorah minha vó caminhando até o aterro olhando a ilha que não estava lá. Tudo aquilo que em mim é coração desaba. Chove no Rio e o rio enche aqui. Na TV p&b, as cores da prata e das cinzas... Rio-me por lembrar. Tenho por outra vez o olhar mareado, e meu respiro. Ouço-o e dele retornam novos ruídos como se novos fossem. Os primeiros acordes. Violão e uma voz baixinha quase rascante, mas, doce e triste também. Sambinha, SAMBINHA: o QUE É BOSSA NOVA MEU AVÔ. Bossa Nova é Bossa Nova Carlos... Bartô.
O cheiro do Rio é doce de perfumes de flores, sal e violeta têm sua pele e cor.O Recife é isso também em mim, mais eu sei que não é. É na minha recordação do ido, do perdido. O Recife é salobre e brisa misturada à água de côco. Jasmim e mangas. Branco azul e ouro avermelhado no final da tarde.
Muita pergunta que eu fiz a Vida me respondeu. O amor que eu quis ela não fixou. Como se me colocasse a prova, para saber se era isso mesmo.Todos se foram como num verso de Manoel Bandeira. A Vida me deu ela, a própria Vida, e disso quem pode reclamar.
Os pratos e a xícara estão sujos na pia, me esperam... Limpeza e ordem. Uma semente de datile no pires. O cheiro da tâmara. O velho odor de açúcar e deserto. Pois era assim que me vinha de presente: ‘DATILES DEL DESIERTO’. Os presentes de meu avô. Brinquedos, roupas, doces, as frutas cristalizadas. E datiles... Um avião repleto de bombons de aniz. Toda ternura da ilha de são Luis do Maranhão e do flamengo, senador vergueiro. Lá, onde me caiu o primeiro dente e foi na rua. Era de tarde, nublado, meio frio e eu correndo o dente soltando-se e... Caiu. Um gostinho de sangue. Mas, no ar, o cheiro do pão doce e da doçura do meu avô escorrendo pela parede de uma vida inteira. A minha vida.
Se o amor me fez das suas, me visitando disfarçadamente, e em sua pujante graça, finge-se de morto e faz que não me sustentem todos os dias, então, eu não aprendi. Mais eu sinto que eu sei. E, se talvez eu ainda não saiba como estar com ele ou nele plenamente, O Amor virá numa manhã. Sentaremos um de frente ao outro e o cheiro esplendido de café tomará conta da sala de nossa casa, o chiado do azeite espanhol esquentando ovos na frigideira, os pães partidos, lábios e o olhar molhado de somente beijar, olhar, repetir...
Comer silenciosamente, um bocado e outro até se saciar. No intervalo, as mãos unidas e todo o começo de um dia que é recomeço. Um dizendo: Meu... E o outro: amor! Silêncio. Fade in...
domingo, 7 de abril de 2013
swing melanina
SWING MELANINA
Letra: Carlos Bartolomeu
Música: David Klin
Eu sei com gosto de ti.
E como me entregas ao nada.
Fingindo fugir de mim, permaneces parado, parando-me.
Me luzindo o teu olhar silenciado em mim,
E calando a mim. É o fim. Eu sei. Um fim...
Tua voz de repente acontece. Me estremece o teu som.
Meio tom repetindo a maldade que eu sou teu: ‘si... menor’.
Desafinando, me mandando para um fado que não é meu.
Feliz, revendo em mim, um novo alguém.
Outro rapaz, que invento ser eu.
É assim que me entregas ao nada!
Fugindo de mim, me trocando,
É o fim. Eu sei. Um fim?
Torno a sonhar com você de novo, e outra vez,
Reunindo um mundo de milhões de nós dois.
Porem o que é meu de verdade, é só. É um só. Só eu.
Um amor que outros pensam menor.
E na minha imaginação é imenso
E por isso me comprometo com o Nada que você é,
Fugindo de mim, em ti permaneço.
Sabendo que assim, tu não és tu e que eu não sou só eu:
Eu sei...
(primeira versão para um dos temas musicais de SUAS MÃOS)
(primeira versão para um dos temas musicais de SUAS MÃOS)
AOS ATORES
DIZ MEU NOME*, também pode ser chamado de Relativo Bolero. . .
Neste exercício para atores, a afetividade contida no texto, por vezes dolorosa, é instaurada através de lembranças. Estas devem ser conduzidas no contexto de um humor esclarecido. O que isso possa significar deixo às mãos da direção e na imaginação dos atores. Eles devem compor com fragmentos das suas memórias, a evocação de suas personagens. Deverão jogar com as palavras e, no entanto aceitarem o recitativo de esquemas, velhos e conhecidos destas mesmas personagens: O decalque, o corte e a superposição das imagens, muitas e muitas vezes reconstruídas por elas e que montam o romance sob a ótica da paixão.
O tempo do silêncio é o segredo do ritmo. Dois prá lá. Dois ou três para...
Sem nenhum pudor sucumbem a canastrice amorosa e tornam-se plagiárias de modelos, escrituras, vidas teatrais. São citações, clones reverentes de outras máscaras. Colecionam as mesmas versões da amorosidade. No lugar comum estão situadas. Perderam o pejo de olhar para o desfeito, jogam para o alto! Em palimpsesto duvidoso construiu o discurso de seus sentimentos, apreendido nas telas de cinema... E o desenrolam com sugestiva carnalidade... Assinando em baixo.
Suas vidas podem não dar um filme, mas elas sabem que saíram de um! Qual? Vai lá, se saber! Exorcizar o aparentemente impossível: a passagem do tempo e a permanência da dolorosa memória de amores, para elas não é meta, é destino. Elas tentam corajosamente!
P.S.: X e Z não são os nomes reais destas personagens. De fato não me vem a mente nomes originais e nada mais forte me ocorreu para solucionar o esquecimento! Quando ouço as palavras destas criaturas, destes homens enamorados, reconheço que Ana e Teresa, personagens de As Moças, texto teatral de Isabel Câmara são as suas sombras.
Eu as beijo... Finalmente!
* O nome do texto já editado denominei de ENSAIO ABERTO.
Carlos Bartolomeu
Derby abril/maio2002
sábado, 6 de abril de 2013
ensaio de entrega
Em certo tempo passado assisti uma pelicula cujo nome era o mar: MEDITERRÂNEO. Falava sobre a história de um grupo de soldados italianos que na Segunda guerra foram parar numa iha grega e por lá, em meio ao sol, ao sal e as paixões esqueceram as 'razões' da guerra.
- O que os incomodava no entanto era a crença na desistência de seus ideais !- Numa nostalgia de permanecer fiéis a crença, neste caso dos outros. O filme resolve a questão, enviando-os a uma outra possibilidade, sem dúvida mais humana: a da aceitação da mudança, de que ha momentos que o nada a fazer é a melhor coisa.
Deixa-se no ar a consciencia de que mesmo a desistência do heroísmo também é uma ação imaculada. Fugir é quase uma opção de sabedoria.Talvez mesmo, a mais acertada quando se reconhece o limite, sem receio estaciona-se em seu próprio território, não se necessitando provar que se está dentro do simplesmente humano.
Quando escrevo sobre tal memória da imagem, fico a pensar nos meus pares e em seus receios de se sentirem mais verdadeiros ou corajosos diante das gritantes insolvências da vida de artistas... Pré-existe em muitos de nós, um medo do futuro baseado em escolhas e crenças, um passadismo se revela mortal à criação...
Quando escrevo sobre tal memória da imagem, fico a pensar nos meus pares e em seus receios de se sentirem mais verdadeiros ou corajosos diante das gritantes insolvências da vida de artistas... Pré-existe em muitos de nós, um medo do futuro baseado em escolhas e crenças, um passadismo se revela mortal à criação...
Ser honesto é condição inerente ao artista e as suas relações. A verdade apenas desmente a mentira, o engano. Substituindo-se a tragédia pela farsa tereros apenas um efeito comicamente doentio.
carlosBART
Tenho cuidado de pensar alto. Tenho me deixado ver para muitos que assistem às praças midiaticas da hora. Portanto, achei plausível exercitar-me nun espaço próprio para isso. Resolvi criar meu circo. Lugar onde eu possa me deixar convencer da possibilidade do exercício da escrita.
Escrever pode ser uma ação digna do prazer; pode se entreter com o recato e também com inércia criativa, postegar... Todavia o ato de escrever pede que você esteja envolto numa entrega, dentro dela, mesmo antes da construção. O pensamento e o coração devem se confrontar e medindo esforços continuados, desenharem, esculpirem suas traições...
Escrever nos amedronta e nos impele. Pode nem ser uma arte nas nossas mãos, mas, sem duvida é oração.
carlosBART
Escrever pode ser uma ação digna do prazer; pode se entreter com o recato e também com inércia criativa, postegar... Todavia o ato de escrever pede que você esteja envolto numa entrega, dentro dela, mesmo antes da construção. O pensamento e o coração devem se confrontar e medindo esforços continuados, desenharem, esculpirem suas traições...
Escrever nos amedronta e nos impele. Pode nem ser uma arte nas nossas mãos, mas, sem duvida é oração.
carlosBART
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